Philips e Glygenix Therapeutics unem-se para pesquisar terapia gênica mediada por ultrassom

agosto 5, 2009

São Paulo, 05 de agosto de 2009 – A Royal Philips Electronics (NYSE: PHG, AEX: PHI) e a GlyGenix Therapeutics (Woodbridge, Connecticut, EUA) acabam de anunciar um acordo de pesquisa para explorar a viabilidade do uso de tecnologias de ultrassom para terapia gênica. A colaboração priorizará, principalmente, a pesquisa do tratamento para a Doença do Armazenamento de Glicogênio do Tipo 1a (GSD-1a) em estudos pré-clínicos.
 
A parceria combina os conhecimentos da Philips em tecnologias de diagnóstico por imagem e procedimentos médicos minimamente invasivos com a experiência da GlyGenix na correção de deficiências genéticas em casos de GSD-1a.

“A possibilidade de distribuição de genes com abordagem direcionada representará um avanço significativo na correção de deficiências genéticas e pode significar a possibilidade de cura para doenças hereditárias tais como a GSD-1a”, comenta William Fodor, CSO da GlyGenix Therapeutics. “As técnicas da Philips para a distribuição de DNA mediada por ultrassom oferecem a oportunidade de se transportar genes sem as limitações e obstáculos apresentados pelo tamanho dos sistemas de empacotamento viral e, assim, abrem portas para o desenvolvimento de genes terapêuticos mais saudáveis e efetivos.”

“Os sistemas de diagnóstico por imagem já desempenham papel crucial em procedimentos médicos minimamente invasivos, tais como a abertura de artérias obstruídas, correção de arritmia ou biópsia de amostras de tecido de lesões suspeitas,” afirma Henk van Houten, vice-presidente sênior da Philips Research e líder do programa de pesquisas em Cuidados com a Saúde. “O desenvolvimento de técnicas de ultrassom que possam direcionar de forma não-invasiva a distribuição de medicamento, genes e células-tronco para partes específicas do corpo abre novas possibilidades de avanço no cuidado com os pacientes.”

A GSD-1a é uma doença hereditária que torna impossível, para o corpo, regular os níveis de açúcar no sangue (glicose), devido a uma falha genética que impede a produção de uma enzima chamada glicose-6-fosfatase(G6Pase). Apesar de ser uma doença rara, apresentada em apenas 1 caso a cada 100 mil ou 200 mil nascimentos nos EUA, ela resulta em uma redução significativa da qualidade de vida dos pacientes e pode levar a co-morbidades potencialmente fatais na idade adulta. Atualmente, não há tratamentos curativos aprovados para a GSD-1a. A correção da deficiência genética causadora da doença pode oferecer a possibilidade de uma terapia efetiva, que permitiria a pacientes com GSD-1a levar uma vida normal.

Terapias gênicas modernas que se apóiam apenas na corrente sanguínea para a distribuição de moléculas genéticas corretivas tipicamente falham na distribuição de quantidades suficientes para os órgãos desejados. No entanto, ao se direcionar o ultrassom para esses órgãos após a distribuição de DNA, um aumento na absorção por meio de um processo conhecido como sonoporação foi demonstrada com sucesso em estudos pré–clínicos. A sonoporação aumenta a permeabilidade das paredes celulares, permitindo a absorção de moléculas grandes e, consequentemente, a distribuição de genes terapêuticos. Comparada às terapias gênicas atuais que utilizam vetores virais para infectar as células, esta técnica mediada por ultrassom não apresenta riscos de uma resposta anti-viral imune ou inflamatória. Além disso, a abordagem direcionada pode reduzir efeitos colaterais.

O tratamento proposto é conhecido como distribuição de plasmido de DNA (pDNA) mediado por ultra-som. O programa de pesquisa focará especificamente no transporte de um pDNA terapêutico G6Pase funcional humano para o fígado, o órgão primariamente responsável pelo armazenamento de glicogênio e pela produção de glicose. Estudos pré–clínicos  para investigar a viabilidade da técnica serão conduzidos pela Philips Research e pela GlyGenix Therapeutics em colaboração com a Divisão de Genética Médica da Escola de Medicina da Duke University (Durham, Carolina do Norte, EUA) – líder reconhecida no diagnóstico de GSD-1a, genética pediátrica e modelos experimentais.

A GlyGenix Therapeutics possui licença exclusiva mundial para o gene, proteína e mutações relacionadas a G6Pase para o tratamento de GSD-1a. A GlyGenix busca obter designação de Medicamento Órfão para o tratamento de GSD-1a, o que ofereceria sete anos de exclusividade de mercado.

Informação científica de apoio

Uma das tendências mais fortes no cuidado médico é a transição de procedimentos médicos invasivos, tais como cirurgias a céu aberto, para intervenções minimamente invasivas que resultam geralmente em procedimentos mais rápidos, com menos trauma para o paciente e melhores resultados. O surgimento de novas intervenções minimamente invasivas também permite o tratamento de condições para as quais ainda não há terapia adequada disponível. O diagnóstico por imagem e tecnologias relacionadas são essenciais para a condução de procedimentos minimamente invasivos, oferecendo visualização da área definida para o tratamento, ajudando no posicionamento apropriado e na operação dos instrumentos e monitorando o progresso da intervenção.

 

Para desempenhar com excelência tais intervenções, o direcionamento por imagens, novos instrumentos e soluções terapêuticas avançadas fazem-se necessários. A Philips Research e a GlyGenix Therapeutics pesquisarão a viabilidade do uso de tecnologias de ultrassom para guiar, monitorar e controlar a distribuição de DNA terapêutico para o fígado em estudos pré–clínicos para o tratamento da Doença do Armazenamento de Glicogênio Tipo 1a (GSD-1a).

 

Para a Philips, o envolvimento nesse trabalho conjunto de pesquisa faz parte de uma série de parcerias em que nossa tecnologia avançada de ultrassom será utilizada. Além do uso de microbolhas co-injetadas para induzir a sonoporação, também estamos explorando a possibilidade de utilizar ultrassom direcionado para a liberação de medicamentos a partir de microbolhas e nanopartículas  para obter uma distribuição direcionada. Além disso, estudamos a possibilidade de utilizar essa técnica para terapia de ablação térmica. Essas iniciativas incluem a liderança da Philips no projeto SonoDrugs da União Européia (UE).

 

Doença do Armazenamento de Glicogênio Tipo 1a

A Doença do Armazenamento de Glicogênio do Tipo 1a (GSD-1a) é causada por uma deficiência genética que impede o corpo de produzir uma enzima chamada glicose-6-fosfatase (G6Pase). Essa enzima exerce um papel crítico na conversão de glicogênio em glicose no fígado, a medida em que o corpo tenta manter um nível de açúcar no sangue adequado entre as refeições. A ausência da enzima pode, assim, levar a períodos potencialmente fatais de hipoglicemia aguda (níveis de açúcar severamente reduzidos no sangue). Como o gene deficiente apenas prejudica a habilidade do corpo de converter glicogênio em glicose e não a sua habilidade de converter o excesso de glicose em glicogênio, a doença também resulta no armazenamento excessivo de glicogênio – daí o nome Doença do Armazenamento de Glicogênio. Isso geralmente resulta num crescimento do fígado, rim e intestino delgado, frequentemente acompanhado de uma gama de outras co-morbidades debilitantes.

 

 

Atualmente, a GSD-1a é apenas monitorada, não curada. O gerenciamento da doença normalmente envolve dietas alimentares severas para garantir que o corpo tenha um suprimento de glicose contínuo, porém não excessivo, a partir do açúcar e do amido. Essa terapia normalmente envolve alimentação contínua por via nasogástrica ou nasoentérica, ou alimentação regular em intervalos de poucas horas, durante o dia e a noite. Como o tratamento deve começar o quanto antes, a doença é particularmente difícil para bebês e crianças.

 

A GSD-1a é uma doença hereditária que afeta crianças nascidas de pais que são ambos portadores do gene com deficiência de G6Pase, tendo uma chance a cada 4 casos de sofrer da doença. Apesar de ser uma doença rara, que atualmente está presente em aproximadamente um a cada 100 mil ou 200 mil nascimentos nos EUA, sua natureza debilitante e impacto na qualidade de vida tornam imprescindível a busca de tratamentos mais eficientes.

 

Terapia gênica curativa

A terapia gênica oferece a possibilidade de cura para a GSD-1a. O procedimento consiste da introdução de um gene sem deficiência de G6Pase nas células do fígado na forma de um plasmido (molécula de DNA tipicamente circular capaz de replicação independente). Ao se restabelecer a produção da enzima glicose-6-fosfatase nos pacientes com GSD1a, as rígidas dietas alimentares e outras complicações associadas à doença são eliminadas, levando à cura.

 

O desafio é encontrar um modo de transportar o gene G6Pase até as células do fígado. Um método que tem sido bastante explorado é o uso de vetores virais, como o adeno-associado (AAV), para transportar o gene para dentro das células. No entanto, terapias genéticas atuais que utilizam vetores virais para infectar as células podem apresentar o risco de uma resposta de imunidade antiviral ou inflamatória.

 

Distribuição de genes mediada por ultrassom

A distribuição de genes mediada por ultrassom oferece uma alternativa interessante que supera as dificuldades associadas aos vetores virais e também oferece a oportunidade para a realização de terapia direcionada não-invasiva em órgãos internos específicos. A técnica de ultrassom que será pesquisada pela Philips e pela GlyGEnix Therapeutics se apóia em um processo chamado de sonoporação.

 

A sonoporação envolve o uso de microbolhas (esferas microscópicas cheias de gás e feitas de um material biocompatível, como o fosfolipídio) que são injetadas na corrente sanguínea junto com o gene G6Pase. Como essas microbolhas agem como um agente de contraste de ultra-som, sua chegada ao fígado (e por inferência, a chegada do G6Pase ao fígado) pode ser rastreada com um sistema de ultrassom.

 

Quando chegam ao fígado, as microbolhas são então sujeitas a pulsações de ultrassom de alta energia direcionado, a uma frequência ressonante, o que faz com que elas se expandam e contraiam com rapidez. Se as microbolhas estão próximas a uma parede celular, sua deformação ou fragmentação física aumenta a porosidade da parede da célula ao gene G6Pase. O mecanismo exato envolvido ainda não é completamente compreendido, mas pode ser que as microbolhas oscilantes induzam a cavitação ou  jatos de água microscópicos, enquanto a fragmentação das microbolhas pode criar fragmentos balísticos que perfuram as paredes da célula. Nessa aplicação, as microbolhas, assim, atuam tanto como um agente no diagnóstico por imagem, ajudando na intervenção guiada, quanto como um mecanismo para terapia não-invasiva. O mesmo sistema de ultrassom também será usado para o imageamento do fígado durante o procedimento.

 

Parcerias de sucesso

Como costuma acontecer com diversas doenças raras, o conhecimento clínico a respeito da GSD-1a está concentrado apenas em alguns centros médicos ao redor do mundo. A Philips e a GlyGenix Therapeutics têm o privilégio de conduzir estudos pré clínicos em colaboração com a Divisão de Genética Médica da Duke University (Durgam, Carolina do Norte, EUA), que atualmente gerencia o tratamento de diversos pacientes portadores de GSD-1a. Isso deve facilitar significativamente a passagem de estudos pré-clínico para exames clínicos, se os resultados da pesquisa conjunta forem promissores.

Philips - Comunicação Corporativa

Daniel Ortins / daniel.ortins@philips.com

Thiago Rebouças / thiago.reboucas@philips.com
11 – 2125-0244

11 – 2125-0223


Sobre a Royal Philips Electronics

A Royal Philips Electronics da Holanda (NYSE: PHG, AEX: PHI) é uma empresa diversificada de saúde e bem-estar, com foco em melhorar a vida das pessoas por meio de inovações oportunas.  Líder global em cuidados com a saúde, estilo de vida e iluminação, a Philips integra tecnologia e design ao prover soluções para as pessoas, baseadas fundamentalmente em pesquisas com consumidores e na promessa de marca “sense and simplicity”. Com sede na Holanda, a Philips emprega aproximadamente 116 mil funcionários em mais de 60 países. Com um volume de vendas de 26 bilhões de euros em 2008, a empresa é líder de mercado em soluções para cuidados cardíacos, cuidados com a saúde em casa, soluções eficientes em iluminação e novas aplicações de iluminação, bem como em produtos de consumo e estilo de vida para o bem-estar pessoal, com forte posicionamento em flat TV, barbeadores elétricos, entretenimento portátil e saúde bucal. Mais informações sobre a Philips podem ser encontradas no site www.philips.com/newscenter.


Sobre a GlyGenix Therapeutics

Sediada em Woodbridge, CT, a GlyGenix Therapeutics é uma empresa privada de biotecnologia que desenvolve soluções terapêuticas para desordens metabólicas graves. O foco prioritário da companhia é utilizar produtos da terapia gênica com sistemas de distribuição não-virais para o tratamento da Doença do Armazenamento de Glicogênio Tipo 1a (GSD1a), uma doença genética crônica e severa que afeta o fígado e para a qual ainda não existe nenhuma terapia aprovada. Fundada em 2006, e com o suporte de uma quantidade considerável de dados pré–clínicos, a GlyGenix Therapeutics pretende iniciar experiências clínicas para o tratamento de GSD1a. Mais informações sobre a GlyGEnix Therapeutics podem ser encontradas em www.glygenixtherapeutics.com.


 


©2004- Koninklijke Philips Electronics N.V. All rights reserved.